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terça-feira, 5 de julho de 2011

MAIS UM ATO DE CORRUPÇÃO

por Gilvan Rocha(*)

Tudo começou através da imprensa cearense. Em letras garrafais foi denunciado que o Ministério dos Transportes era um antro de corruptos. Essa declaração causou estranheza no governo Dilma, e o Ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, ameaçou processar os denunciantes por considerar a denúncia totalmente improcedente. Enquanto isso, as estradas do Ceará particularmente a que liga Fortaleza a Sobral, se apresentava praticamente intransitável. Foi até promovido um ralí para mostrar ao Brasil as condições escabrosas em que se encontravam os trechos da referida estrada. Logo após esse ato político, o Ministro dos Transportes e seus apaniguados resolveram promover uma visita de emergência ao estado do Ceará e constatar que as denúncias eram procedentes e gravíssimas. Hoje, os jornais do sul e particularmente, a revista VEJA, denuncia com minúcias, a roubalheira plantada no seio do Ministério dos Transportes, instituição que de fato é comandada pelo deputado mensaleiro, presidente do PR, Valdemar Costa. Somente ai, o governo Dilma/Temer resolve tomar providências e demite de uma só vez três diretores diretamente envolvidos nessas falcatruas.

Temos repetido que não alimentamos esperanças em moralizar o capitalismo. Aqui, ali, hoje e sempre, esse sistema, baseado na exploração do homem pelo homem, e que busca tão somente o lucro a qualquer custo para meia dúzia, é incapaz de existir sem que lhe persiga a chaga da corrupção. O que nos assusta é o fato de o país, hoje, ser dirigido, majoritariamente, por uma pretensa esquerda formada pelo PT, PCdoB, PSB, PDT, PV... Não disseram, insistentemente, os fundadores do PT, que ele seria um partido diferente? É verdade que eles não esclareciam em que consistiria a diferença, e hoje o que vemos é que seus militantes, mais destacados, andam lambuzados no cocho da corrupção ou das histórias mal contadas, como foi o caso recente do ex-militante trotskista, Antonio Palocci. Tudo reduz-se a isso: a burguesia quer garantido o seu lucro e a esquerda direitosa cobra para isso o seu pedágio. É lamentável.

(*) Presidente Estadual do PSOL/Ce

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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Vladimir Palmeira - Um dos últimos da Passeata dos Cem Mil


Seis anos após o mensalão, Vladimir deixa o PT

Fundador do partido alega agora que volta de Delúbio Soares à sigla "faz com que todos se pareçam iguais"

Alessandra Duarte

Seis anos após o escândalo do mensalão, Vladimir Palmeira deixou o partido que ajudou a fundar há 30 anos. Em carta de desligamento entregue ao diretório municipal do PT no Rio publicada ontem em seu site, Vladimir, figura histórica da esquerda e lembrado como líder da Passeata dos Cem Mil no regime militar, diz que a razão para sua saída é a volta ao partido de Delúbio Soares, que era tesoureiro do PT no mensalão. Ao GLOBO, Vladimir afirmou que o retorno de Delúbio mostra que sua expulsão foi "só um remendo", e que o PT tem atualmente "problemas éticos e orgânicos".
- Um partido não pode funcionar se as pessoas que estão nele podem fazer o que querem - disse, destacando que a volta de Delúbio afeta a credibilidade de quem defendeu o PT. - Fui um dos que mais se expuseram defendendo o partido, pois isso afeta sua credibilidade. Se você fica dizendo uma coisa que depois não acontece... Passamos dois anos indo à TV dizer que o partido punia. Agora, é quase como dizer que não deveríamos tê-lo expulsado. O que houve então foi suspensão, não expulsão; venderam um peixe à opinião pública que não era verdadeiro. Dá a entender que a expulsão foi só um remendo e reflete problemas não só éticos, mas orgânicos do partido.
Na carta de desligamento, Vladimir diz que não está saindo por "divergências políticas fundamentais", mas porque "a volta ao partido de Delúbio Soares, justamente expulso no ano de 2005, me impede de continuar nele. Pela questão moral, pela questão política, pela questão orgânica". Na carta, destaca: "é evidente que houve corrupção. Não se pode acreditar que um empresário qualquer começasse a distribuir dinheiro grátis para o partido. Exigiria retribuição, em que esfera fosse. O procurador federal alega que são recursos oriundos de empresas públicas, sendo matéria agora do STF. Mas alguma retribuição seria, ou a ordem do sistema capitalista estaria virada pelo avesso".
Ainda na carta, o ex-deputado federal - que diz ter preferido esperar a crise com o ex-ministro Antonio Palocci passar para comunicar a saída - afirma que "o ex-tesoureiro não só agiu ilegalmente com relação à sociedade, mas violou todas as normas de convivência partidária, ao agir à revelia da Executiva Nacional e do Diretório Nacional. A volta de Delúbio faz com que todos se pareçam iguais e que, absolvendo-o, o DN esteja, de fato, se absolvendo. Ou, mais propriamente, se condenando".
Afirmando que não há chance de voltar ao PT, Vladimir - que antes de comunicar a saída conversou com petistas, mas preferiu não revelar com quem - diz que não pensa em ir para outra sigla, "só em dar aula e escrever na internet":
- Sempre fui um ser partidário. Agora não penso em nada. Uma vez na vida não faz mal.
Presidente municipal do PT no Rio, Alberes Lima disse que "as portas estão abertas" para Vladimir, e que as divergências dele "não foram com o diretório municipal, nem com o estadual, mas com o nacional".
FONTE O GLOBO

segunda-feira, 7 de março de 2011

É hora de Lutar


O exemplo dos egípcios

"Os brasileiros conscientes têm a obrigação de participar, se não concorrendo e assumindo cargos públicos, pelo menos saindo da sala e do conforto de suas casas, para lutar por um país maravilhoso, do qual nos orgulhemos"

João Bosco Leal*

O artigo de Augusto Nunes "Mire-se no exemplo dos egípcios" publicado por Veja, trata de uma assunto que realmente precisa ser discutido em nosso país. Como diz o autor, centenas, milhares de brasileiros vivem debatendo nos sites e blogs da internet, o que pode, e o que deve ser feito, mas nada, literalmente nada ocorre com os envolvidos nos mais diversos escândalos, recentemente publicados no país.
O escândalo que ficou conhecido como Mensalão do PT, com trinta e oito pessoas indiciadas, ainda nem foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal, e muitos dos que nele estão envolvidos já estão novamente assumindo cargos importantes no governo Dilma Rousseff.
A certeza da impunidade é tanta, que o senhor José Genoíno, acusado de ser o avalista das operações fraudulentas praticadas pelos acusados, já trabalha como assessor especial do ministro da Defesa, Nelson Jobim, exatamente aquele que comanda as Forças Armadas, que no passado prendeu o guerrilheiro Genoíno.
João Paulo Cunha, outro réu no mesmo processo, assumiu exatamente a Comissão de Constituição de Justiça da Câmara, como se toda a Câmara pretendesse mostrar ao STF que já realizou o julgamento de um dos seus, e que não se importará com a decisão daquela Corte.
José Dirceu, acusado de ser um dos líderes do grupo, já dá entrevistas e opiniões no governo Dilma, sobre assuntos que deveriam ser de competência exclusiva da presidenta da República e de seus Ministros.
Começando pelo presidente do Senado, José Sarney, todos se calam, aceitam, se tornam cúmplices na indicação, ou indicam eles próprios, pessoas para cargos de importância relevante, que, pelo menos até o julgamento final das ações em que são acusados, em nenhuma hipótese poderiam assumir cargos públicos.
O autor pergunta ainda como impedir que o país se torne um imenso clube de cafajestes, se não aparecem líderes, ou mesmo partidos políticos, dispostos a liderar esse imenso contingente de inconformados, e lembra que a história nos ensina que a surdez dos donos do poder só é superada pela voz das ruas. O Egito, lembra o autor, mostrou que agora é ainda mais fácil, que já se pode fazer pela internet o que líderes e políticos, por interesses diversos e quase sempre escusos, não querem fazer, mas o povo pode.
Como militante que fui de política classista durante muitos anos, posso dizer que no Brasil somos muito despolitizados, que cada um procura cuidar do próprio umbigo, e ainda não entendeu que, sem pensar o coletivo, o povo, o país, a nação, jamais chegaremos a lugar algum, e que, isolados, sempre seremos vencidos.
A partir do momento em que se tem a consciência de que unidos, mesmo desarmados, podemos muito, já é possível começar a pensar em alternativas, pois há muito pouco tempo os jovens caras pintadas deste país já fizeram uma verdadeira revolução, saindo em massa às ruas, e provocaram um impeachment, desarmados, sem um único tiro.
Não é difícil então, para os brasileiros, exigir que projetos como o que ficou conhecido como Lei da Ficha Limpa sejam não só votados e aprovados, mas cumpridos assim como foram propostos, e não permitindo que se encontrem artifícios jurídicos, de modo a permitir que réus de processos inconclusos ou mesmo os já condenados tomem posse como vem ocorrendo, como com José Genoíno, João Paulo Cunha e tantos outros.
Os brasileiros conscientes têm a obrigação de participar, se não concorrendo e assumindo cargos públicos, pelo menos saindo da sala e do conforto de suas casas, para lutar por um país maravilhoso, do qual nos orgulhemos, governado por pessoas íntegras, interessadas no progresso do país e na qualidade de vida seu povo, e não nos próprios bolsos, como hoje ocorre com a grande maioria dos membros dos Três Poderes Constituídos.

* Produtor rural, articulista e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários
http://congressoemfoco.uol.com.br/

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Quem quer expulsar Serys Slhessarenko do PT após 23 anos?


Ex-senadora Serys é ameaçada de expulsão do PT

Renata Camargo
A ex-senadora do PT Serys Slhessarenko (MT) pode ser expulsa do partido do qual é militante há 23 anos. Um pedido de expulsão contra a ex-parlamentar foi protocolado ontem (17) no diretório regional do PT do Mato Grosso. A tentativa de expulsão foi anunciada pela própria ex-senadora em seu twitter, onde Serys faz um desabafo.
“Olá amig@s, estou afastada porque tô muito enrolada com a mudança, colocando tudo em ordem, mas não poderia deixar de desabafar. Já não bastava terem me tirado o direito de ser candidata à reeleição, ter sido apunhalada pelas costas, terem me traído. Agora querem me expulsar do partido que ajudei a construir”, disse em seu twitter.
No desabafo, Serys afirma ainda que está “chocada” com o pedido de expulsão e acusa o PT de estar sendo destruído e estar encolhendo “por uma direção ditatorial e despótica”. “Nunca usei, nem usarei o partido para satisfazer interesses pessoais. O Partido é maior, é o PARTIDO DOS TRABALHADORES... Alguns esquecem”, afirmou na rede.
O diretório regional do PT no Mato Grosso é controlado pelo ex-deputado e atual secretário de Educação Especial do Ministério da Educação, Carlos Abicalil (MT). Candidato derrotado ao Senado nas eleições de outubro, Abicalil recebeu 533 mil votos e ficou em terceiro lugar na disputa pelas duas vagas no Senado, perdendo para Blairo Maggi (PR) e Pedro Taques (PDT).
Em maio do ano passado, nas prévias eleitorais do partido, o ex-deputado protagonizou uma das mais acirradas disputas internas do PT no estado. Abicalil venceu a disputa para sair candidato ao Senado no lugar da então senadora Serys, que pretendia disputar a reeleição. Serys acabou perdendo a queda de braço e concorrendo a uma vaga na Câmara, para a qual foi derrotada.
Os motivos que levam ao pedido de expulsão do partido ainda não foram divulgados. O Congresso em Foco tentou falar com o ex-deputado Carlos Abicalil e com o diretório regional do PT no Mato Grosso, mas ainda não obteve sucesso.

No twitter, Serys acusa o ocorrido de ser uma ação de "uma facção" dentro do partido. “Desculpem o desabafo, mas ver um grupelho, uma facção querendo tomar o partido à força, não dá. PT é democrático. Só me contaram do processo, não sei quem assinou. Para falar a verdade não me interessa, são pessoas que reduzem o partido”, disse.
Serys é uma das fundadoras do PT no Mato Grosso. Pelo partido, já exerceu por três mandatos consecutivos o cargo de deputada estadual e por um o de senadora. “O PT é o meu partido, é a minha história. (...)O que ocorre comigo não é partidário, é humano, é a busca do poder pelo poder, e isso não é partido que promove, é o próprio ser humano”, afirmou Serys.
Fonte: http://congressoemfoco.uol.com.br/noticia.asp?Cod_Canal=1&Cod_Publicacao=36147

Homenagem a Luiz Gonzaga